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ELEIÇÕES 2026: João Campos perde 20 pontos e ver possibilidade real de Raquel vencer no 1° turno.

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Mudança no comando estratégico e afastamento de nomes experientes ligados às campanhas de Arraes e Eduardo Campos são apontados, nos bastidores, como fatores que podem ter pesado na largada do socialista.
A campanha de João Campos ao Governo de Pernambuco entrou em uma fase de maior pressão política. O que antes parecia uma caminhada confortável rumo ao Palácio do Campo das Princesas transformou-se em uma disputa aberta, com pesquisas recentes mostrando uma mudança significativa no cenário eleitoral.
Evolução das pesquisas — Pernambuco 2026

Evolução da disputa pelo Governo de Pernambuco

Intenção de voto estimulada — João Campos (PSB) x Raquel Lyra (PSD). Passe o mouse sobre os pontos para ver instituto e data.

João — início56%
João — último36%
Raquel — início27%
Raquel — último44%
Fonte: levantamentos publicados por RealTime Big Data, Datafolha e Quaest. Para tornar séries de institutos diferentes comparáveis, o gráfico mostra os percentuais publicados em cada levantamento, sem tratar as pesquisas como uma única série metodológica. O ponto de dezembro/2025 é do RealTime Big Data; os pontos de fevereiro a agosto/2026 incluem levantamentos RealTime Big Data, Datafolha e Quaest.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho do desafio. No fim de 2025, João Campos aparecia com 56% das intenções de voto em levantamento do RealTime Big Data. Em abril deste ano, a Quaest registrou o socialista com 42%. Já na pesquisa divulgada em agosto, o percentual caiu para 36%, enquanto Raquel Lyra chegou a 44%.
O Datafolha, divulgado dias antes, também apontou vantagem da governadora: 47% contra 40% de João Campos.
Mais do que a diferença entre os candidatos, o que chama atenção é a trajetória. João saiu de uma vantagem de quase 30 pontos sobre Raquel no final de 2025 para uma situação em que aparece atrás da governadora em levantamentos recentes.
A discussão que ganhou força nos bastidores
É nesse contexto que uma discussão interna começa a ganhar espaço entre setores do próprio campo socialista: a mudança na composição da equipe responsável pela estratégia eleitoral.
Comentários de bastidores apontam que João Campos teria optado por renovar parte importante da estrutura de estratégia e comunicação, deixando em segundo plano quadros políticos mais experientes que participaram de campanhas associadas à tradição de Miguel Arraes e Eduardo Campos.
A avaliação feita por setores políticos próximos ao PSB é que a experiência acumulada por esses grupos representava um conhecimento particular sobre o eleitor pernambucano, a formação de alianças, o funcionamento das estruturas municipais e, principalmente, sobre o modo de fazer campanha em Pernambuco.
A crítica não é necessariamente à chegada de novos profissionais. O ponto levantado por aliados e observadores seria o equilíbrio entre renovação e experiência.
Para esses setores, a troca teria produzido um período de adaptação justamente em uma etapa considerada decisiva: a preparação e a largada da campanha.
O problema não seria apenas a pesquisa
A leitura de parte dos bastidores é que os números seriam consequência de um problema maior: a dificuldade de transformar a força eleitoral construída por João Campos no Recife em uma candidatura estadual competitiva.
A pesquisa Quaest de agosto reforçou esse alerta. Além de registrar Raquel com 44% e João com 36% no primeiro turno, o levantamento mostrou a governadora com 47% contra 37% do socialista em um eventual segundo turno.
Outro dado chama atenção: a vantagem de João permanece mais forte na Região Metropolitana, enquanto Raquel apresenta desempenho competitivo — e em alguns levantamentos superior — no interior. Pesquisa Ipespe divulgada em julho, por exemplo, apontou Raquel com 56% contra 39% de João no interior.
É justamente aí que a experiência política tradicional do PSB volta a ser lembrada.
A herança de Arraes e Eduardo
O PSB pernambucano construiu, ao longo de décadas, uma cultura de campanha baseada na presença territorial, articulação municipal e formação de alianças. Miguel Arraes e Eduardo Campos foram referências desse modelo.
João Campos é herdeiro direto dessa tradição política. O próprio socialista tem recorrido à memória do pai e do bisavô em sua comunicação eleitoral. Em agosto, ao relembrar registros das campanhas de Eduardo Campos, João afirmou que aquelas imagens reforçavam sua convicção de estar no caminho certo.
A questão colocada nos bastidores, portanto, não é sobre a capacidade individual de João Campos, mas sobre a estrutura que está ao redor dele.
A pergunta que começa a circular entre aliados é simples: a campanha conseguiu preservar a experiência acumulada pelo PSB ao mesmo tempo em que buscou modernizar sua estratégia?
Alerta antes do primeiro turno
Ainda é cedo para decretar qualquer resultado. Pesquisa eleitoral é fotografia, não sentença, e há tempo suficiente para uma campanha reagir.
Mas o cenário mudou.
A contratação de Mariah Queiroz, ex-chefe de Estratégias e Redes da Secom da Presidência, para reforçar a comunicação digital da campanha mostra que o comando de João Campos percebeu a necessidade de ajustes. A chegada ocorre justamente em um momento de queda nas pesquisas e de avanço de Raquel Lyra.
O risco político para o PSB é que a recuperação demore mais do que o necessário.
Se João Campos não conseguir interromper a trajetória de queda e recuperar terreno rapidamente, uma eleição que começou com aparência de favoritismo pode terminar em uma disputa muito mais apertada — e até abrir espaço para uma definição apenas no segundo turno.
Nos bastidores, a discussão já não é mais sobre se a campanha precisa mudar.
É sobre quanto tempo o PSB ainda tem para fazê-lo.
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