Dados do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública
O Brasil alcançou em 2024 uma marca alarmante e histórica: 87.545 vítimas de estupro e estupro de vulnerável registradas pelas autoridades, o maior número desde o início da série histórica acompanhada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2011. Mas por trás do número recorde existe uma realidade ainda mais chocante: a violência sexual no país tem como principal alvo crianças e adolescentes.
Dados do 19º ABSP revelam que 76,8% de todos os casos registrados são classificados como estupro de vulnerável. Além disso, ao menos 61% das vítimas tinham até 13 anos de idade. Em outras palavras, o estupro no Brasil tem rosto infantil. Os dados mostram que 78% de todas as vítimas de estupro registradas no país possuem até 17 anos. O estudo destaca que, mais do que mulheres adultas, quem mais sofre violência sexual no Brasil são crianças e adolescentes. A situação se torna ainda mais grave quando analisada a faixa etária de maior incidência. Entre crianças e adolescentes de 10 a 13 anos foi registrada a maior taxa nacional de violência sexual: 238,1 vítimas para cada 100 mil habitantes da mesma faixa etária. Foram 65.395 registros de estupro e estupro de vulnerável envolvendo crianças e adolescentes somente em 2024.
Os números também revelam que a violência sexual não se limita aos abusos físicos. O país registrou 3.158 ocorrências relacionadas à produção ou distribuição de material de abuso sexual infantil, 1.857 casos de aliciamento de crianças para prática de atos libidinosos e 1.058 registros de exploração sexual infantil.
Outro dado que preocupa especialistas é o crescimento da violência sexual contra meninos. Embora 85% das vítimas continuem sendo do sexo feminino, o aumento dos registros entre meninos de até 13 anos foi de 10,6%, quase o dobro da variação observada entre meninas da mesma faixa etária, ambos os casos são abomináveis, mas em se tratando de números, estes auxiliam as tomadas de decisões das politicas públicas.
Apesar da gravidade dos números, pesquisadores alertam que a realidade pode ser ainda pior. A própria publicação destaca que a subnotificação continua sendo um dos maiores desafios para compreender a verdadeira dimensão do problema, já que muitas vítimas nunca denunciam os abusos sofridos.
O retrato apresentado pelo Anuário expõe uma crise nacional de proteção à infância. Os dados indicam que a violência sexual contra crianças e adolescentes não é um fenômeno isolado, mas uma realidade persistente, crescente e muitas vezes invisível, que exige ações urgentes de prevenção, denúncia e responsabilização dos agressores.
Mais do que estatísticas, os números representam milhares de infâncias interrompidas, traumas permanentes e uma sociedade que ainda falha em proteger seus cidadãos mais vulneráveis.
Os números da violência sexual infantil no Brasil
87.545
Vítimas de estupro registradas em 2024
76,8%
Eram vítimas vulneráveis
61%
Tinham até 13 anos
78%
Tinham até 17 anos
65.395
Vítimas crianças e adolescentes
3.158
Casos de material de abuso sexual infantil
1.857
Casos de aliciamento
1.058
Casos de exploração sexual infantil
85%
Das vítimas eram meninas
10,6%
Crescimento entre meninos até 13 anos
