Nas redes sociais, um embate político envolvendo a crise do Metrô do Recife acabou antecipando, para muitos analistas, o tom do que deve ser a campanha majoritária e proporcional de 2026 em Pernambuco. De um lado, o deputado federal Túlio Gadêlha, que nos bastidores já é apontado como nome certo para disputar uma das vagas do Senado na chapa da governadora Raquel Lyra. Do outro, o deputado federal Pedro Campos entrou em campo para rebater a chegada dos trens vindos de Belo Horizonte, enviados como solução emergencial para tentar “acudir” o já sofrido sistema metroviário da Região Metropolitana do Recife.
Nos bastidores políticos, a movimentação foi interpretada como uma tentativa clara de blindar o ex-prefeito João Campos do desgaste do tema. A leitura foi simples: para evitar que a crise respingasse diretamente no principal nome do PSB para 2026, o partido colocou o irmão no front do debate. O problema é que, na tentativa de transformar o metrô em problema exclusivo da governadora, o discurso acabou atravessando a Praça dos Três Poderes e atingindo também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, justamente quem financiou, através do Governo Federal e da CBTU, a operação de compra dos trens.
A situação ganhou contornos ainda mais irônicos porque, no dia da assinatura dos investimentos e anúncios para o sistema, até o então ex-prefeito do Recife estava presente ao lado de Lula e da governadora. Não houve críticas públicas, questionamentos ou qualquer reação mais dura diante do presidente. Pelo contrário: houve sorrisos, acenos e fotos protocolares típicas de eventos políticos onde todos parecem concordar com tudo, pelo menos até as câmeras serem desligadas.
Foi aí que, para aliados e adversários, Túlio Gadêlha pareceu ter “entrado na mente” de Pedro Campos. Isso porque, na tentativa de colocar no colo de Raquel Lyra a “bomba” do metrô sucateado, parte do PSB aparentemente esqueceu um detalhe fundamental da engenharia política atual: a governadora também está politicamente alinhada ao presidente Lula. Resultado: a ofensiva que buscava atingir o Palácio do Campo das Princesas acabou acertando, ainda que indiretamente, o próprio Palácio do Planalto. E em ano eleitoral, isso é o tipo de ruído que ninguém gosta de administrar.
A crise estrutural do Metrô do Recife não começou de forma repentina. Especialistas, sindicatos e a própria CBTU apontam que o processo de deterioração se consolidou ao longo da década de 2010, mas ganhou força principalmente a partir de 2015, quando os investimentos em manutenção e custeio começaram a cair drasticamente. Todos governos do PSB.